segunda-feira, 1 de junho de 2020

JUNHO DE 2020 - ANEXO DO JORNAL MENSAL


ANÍSIO LIMA DA SILVA
Campo Grande/MS
Professor da UFMS

O HORROR NOS TEMPOS DO CORONA

        Encastelada no seu poder e cofiando o bigode bem aparado, a Soberbia observou a multidão que começava a se aglomerar na praça imensa.
Sorriu com desdém, a calva reluzente. Gente humilde, honestos trabalhadores, comerciantes, misturavam-se a escroques, estelionatários e todo tipo de escória humana, numa massa bizarra e infame.
Suspensa no centro da praça, uma pequena Coroa tremeluzente emitia fulgurantes raios multicores, guardada por dezenove anjos com espadas flamígeras na mão direita.
E então, como num passe de mágica, a Soberbia viu-se no meio da turba. Atônita e acostumada a julgar com seus modos empoados e queixo empinado, inquiriu indignada a cor cinzenta e o frio que desrespeitava sua toga esvoaçante. Imediatamente convocou a Arrogância, uniforme ornado com muitas estrelas, impecável no brilho do coturno e solicitou com formalidade que lhe dispensasse devida vênia e a conduzisse através do povaréu.
A Arrogância não lhe deu a menor atenção, preocupada que estava em manter sua própria autoridade.
A Falsidade, político outrora influente, havia alcançado um pequeno patamar e discursava frenética e entusiasticamente para a multidão, instando-a a se dispersar.
À Soberbia e à Arrogância juntaram-se a Ira e a Vaidade, formosas senhoritas impecavelmente vestidas e de aparência austera, ostentando distintivos brilhantes na lapela, e avançaram. Ambas tentaram abrir caminho para o seleto grupo, empurrando e tentando separar os que estavam à sua frente, mas para ódio de uma e espanto de outra, sequer foram notadas.
Avareza, velho senhor de olhar sorrateiro e humildade falsa, ofereceu um punhado de moedas de ouro aos dezenove guardiões alados da Coroa, mas foi ignorado.
Personagens com longas vestimentas brancas, azuis ou esverdeadas, rostos cobertos por máscaras, viseiras protegendo os olhos assustados, engrossavam pouco a pouco o estranho cortejo.
Uma dessas figuras, Hipócritas, na qual a Soberba reconheceu o afilhado, procurava convencer os demais de sua sabedoria e inteligência.
Pastores paramentados com turbantes e solidéus, compridas vestes negras e cajados encimados por símbolos triangulares, queimavam incenso circulando pela multidão, pregando com vozes abafadas.
A Soberbia e seus companheiros, revestidos de importâncias, tentaram avançar dispersando a multidão, acostumados que estavam ao respeito incontestável de suas vontades caprichosas. Mas foram bruscamente contidos pela luz que emanava da Coroa, e ameaçados pelas espadas dos guardiões.
Atônitos e indignados a Soberbia, a Ira e a Arrogância imediatamente sacaram livros com regras e códigos e os mostraram, exigindo o respeito e a deferência de que julgavam merecedores.
Foram ironicamente desprezados, enquanto a Avareza sorria com cinismo. O vento soprou mais frio e desarrumou os longos e sedosos cabelos da Vaidade. A Soberbia, tentando se proteger sob o manto negro, e a Falsidade convocada às pressas, ainda tentaram argumentações, mas suas vozes estavam cada vez mais roucas.
Então a pequena Coroa iridescente mostrou todo o seu horror.

ANTÔNIO INÁCIO RIBEIRO
Guarapari/ES
Especialista em Marketing (PUC)
Master Business Administration (FGV)
Administrador (Universidade Mackenzie)
Honorário – Diretor de Divulgação  

ALGO BOM PRECISARÁ FICAR DESTA PANDEMIA
QUE ESTAMOS VIVENDO!

   Com quase todo mundo usando máscaras, ficou difícil reconhecer quem conhecemos, para cumprimentar.
Estou adotando algo, que parece interessante: na dúvida cumprimento a todos e sou correspondido.
   Este hábito simples me fez lembrar as cidades do interior no século passado, quando se cumprimentava a todos.
   Nas cidades grandes, o lugar em que ainda persevera é o elevador, com a tendência de viver em edifícios.
    Muitas amizades daí surgiram, até casamentos. O hábito de cumprimentar nos faz mais sociáveis e avalia a educação recebida.    
  Mas qual vantagem teríamos em cumprimentar a todos, perguntariam os mais objetivos e práticos?
    Este simples gesto, dá a ideia de que fomos bem educados, dando impressão de sermos mais felizes e facilitando a conversa. Assim conheceríamos pessoas que no meio desta crise, poderíamos ajudar e por que não, ser ajudados.
   Esta será a grande necessidade pós pandemia, já que a única certeza é que estaremos piores do que antes.
  Muitos perderão os empregos e não será fácil conseguir outros, mesmo que se sujeitando a salários menores.
 Outros sobreviverão com bicos em pequenos serviços eventuais, assim como muitos se manterão vendendo alguma coisa, inclusive aquelas que conquistaram na fase boa e agora precisarão se desfazer para sobreviver.
   Para conseguirmos superar esta nova situação, precisaremos facilidade de comunicação, que muitos não terão praticado durante a pandemia.
   Como pelo isolamento social, muitos perderam o hábito da boa conversa, ficando mais na TV e notebook, cumprimentar é bom começo e pretexto.
   Seria a certeza do fim da pandemia, ver gente nas ruas, praticando o tão desejado convívio social, contraponto do isolamento social. Comece a praticar!
   Bom dia, boa tarde, boa noite, com alegria! Vida que segue!

EDUARDO  SOUZA
Rio  Branco/AC - Colaborador
Cirurgião  Dentista  - Natalense - Cinéfilo

O  FEITIÇO  DE  ÁQUILA
(1985)  Ladyhawke – Avaliação do púbico: 7.0
   
   Um romance-fantasia com direito a cavaleiros intrépidos, outros nem tanto, um “rato” com aplicados dotes cleptomaníacos, religiosos em conflitos humanitários com a Igreja e seus fiéis, um cenário espetacular, com belos castelos e pradarias sem fim, e claro, um mocinho convincente montando um magnífico alazão negro de nome Goliath.
  Ambientado na Idade Média, quando fé e lendas se misturavam, e muitas vezes turvavam ideias e crenças. Numa época anterior, o cavaleiro andante naquelas paragens, se enamorara com uma fidalga da corte, mas seu amor foi interrompido bruscamente por uma maldição, ditada por um famigerado bispo local, que também almejava o amor da mesma mulher, mas como não era correspondido, juntou-se a sinistras forças ocultas, e lançou uma praga sobrenatural, para impedir a união da nobre com quem quer que seja, já que ele não tinha o seu consentimento, ninguém teria.
   O infortúnio determinava que os amantes nunca estariam ao alcance um do outro, na forma humana.
   Enquanto houvesse noite e dia, eles se revezariam: durante o dia, o cavaleiro sempre estava na forma humana, mas carregava sua amada na forma de um falcão; à noite, ela voltava a forma humana, mas ele se transformava num lobo negro.
   No meio de toda essa angústia, acontecimentos paralelos permeiam a narrativa, como coadjuvantes que ajudariam a interromper essa infelicidade.
  Um padre aposentado, com um passado de pecados e infrações, se junta a um, literalmente, ladrãozinho barato, e descobrem como quebrar a sina de mau agouro suportada pelos enamorados.
   Um fenômeno astronômico invade a tela, decretando um comovente e afetivo desenlace.
      A aventura está armada, entrando em curso ideais de honra e justiça, numa película de magia e entretenimento, como só o cinema poderia proporcionar, irradiando alegria e satisfação nos personagens, e por associação, nos espectadores, que saem da sala de projeções com uma fabulosa alegoria para comentar e apreciar numa sessão da tarde, ou qualquer outra reunião familiar.
   Rutger Hauer, Michelle Pffeifer e, aos 23 anos, um promissor Matthew Broderick, dominam a tela com desempenhos brilhantes, e tornam o filme inesquecível!

IRISLENE CASTELO BRANCO MORATO
Belo Horizonte/MG
 Academia Feminina Mineira de Letras
Presidente-Coordenadora da AJEB/MG
Associação de Jornalistas e Escritoras do Brasil

REFLETIR

Momentos sós, refletimos
Encontramos a plenitude interior
Aprendermos a amar
Não ao impenetrável
Egoístas no casulo

Libertos das prisões internas
Livres para eclodir
A chama interna
Do nosso valor
Sobrevivendo...

Evoluindo assim...
Saindo de si, do seu Ego
Conquistando o amor liberto
A felicidade interior
A paz profunda!

 LUIZ  MANOEL  DE  FREITAS
Natal/RN
Idealizador  /  Superintendente  Técnico  do
PROJETO  REVIVER (Parceiro da SBDE)

EU

Eu sou eu...
E com meu eu me assemelho,
no meu espelho me vejo por inteiro.
Sou companheiro e com desvelo
do meu eu cuido, não há descuido,
no travesseiro durmo sem pesadelo.

No meu eu intrínseco, eu...
Eu, vejo Deus na minha consciência,
e sem tormenta eu vou seguindo,
jamais de meu eu fugindo.

É do meu eu que saem os sentimentos,
meu eu enfrento pelo meu eu, transpiro amor
que vou doando e espalhando
no meu caminho, e é do meu eu
que sinto saindo toda emoção.

Sou triunfante e ao semelhante sigo amando,
pela estrada eu vou somando, e no coração
eu vou guardando cada perdão que vou pedindo,
Já que perdão vou  distribuindo e meu eu se redimindo,
enquanto o meu espelho está refletindo: gratidão.

MAILSON FURTADO VIANA
Varjota/CE
Honorário
Vencedor do 60º Prêmio Jabuti/2018

POEMA
a lua hoje distante e precisa
é o reflexo do botão da camisa -
cópia sem graça da luz incolor
da lâmpada suspensa neste quarto

por tal noite migalho companhia
sem cerveja conversa ou poesia
somente o passar sem pressa do tempo
num atropelar vazio - um hiato

e nesta noite sem luz de cidades
faz-se a vida comprimida a paredes
amarrado em desejos ainda estou.
amanhã – dia novo me desato.

NELSON RUBENS MENDES LORETTO
Gravatá/PE
Professor Adjunto da FOP-UPE 
1º Secretário da SBDE

FAZER O BEM SEM OLHAR A QUEM
        
   Nunca a vida nos requisitou tanto a lição do bom samaritano como nestes tempos de pandemia.
   A prática da caridade, esse aspecto dinâmico do amor, ou o amor em movimento.
  Caridade no pensar, diante desse tiroteio de informações verdadeiras e falsas (as famosas fake news); caridade no falar (e no postar mensagens) com zelo e responsabilidade na repercussão que possa ter nas mentes e nos corações; caridade no agir, presencial ou a distância, mas elevado à grandeza do amor Divino para atender o homem em suas necessidades espirituais e materiais.
  Fazer o bem pelo bem, desinteressadamente, de forma incondicional, desde uma pequena oração até o depósito material de valores em favor de necessitados.
    O momento e a situação requerem mudança de atitude.
    Somos o que fizemos; seremos o que fizermos.
   Clara sinalização para a vida futura que nos aguarda; sinal de alerta para um passado que nos trouxe até este resgate doloroso.   Pense nisso!

PAULO JOSÉ MORAES DA SILVA
Maceió/AL
Professor de Cirurgia - Aposentado da UFAL
CONSIDERAÇÕES SOBRE O CORONAVÍRUS
     Estamos diante de uma Pandemia iniciada em Wuhan na China, e que atingiu o mundo.
Na verdade, nos pegou de surpresa pelo fato de não sabermos diagnosticar, como evoluir a doença e nem tampouco tratar.
      As notícias são muito contraditórias como até hoje. Com a contaminação acelerada na Europa, com muitas mortes, as medidas foram tomando vulto, um tanto ou quanto radicais, com o isolamento de todos.        
        O Ministério da Saúde exigiu que fiquemos em casa, no sofá, quietinhos com a família. As escolas devem permanecer fechadas, como as repartições públicas e o comércio.
        O problema é que existe um grupo para o qual costuma ser especialmente complicado como, por exemplo, a área de saúde, realmente precisa ficar no front, e passar por uma prova de fogo, arriscando a própria vida, tal como nos hospitais, postos de saúde e consultórios.
Será uma fase de muitas perdas financeiras, bem como não saber até quando a sonhada curva comece a ficar achatada e que tudo fique normal.
As pessoas que saem às ruas para qualquer necessidade, como supermercados, farmácias e o próprio trabalho possam se contaminar e,  ao voltar para casa, devem ter o máximo cuidado porque podem promover a disseminação fácil aos idosos e portadores de doenças crônicas como a diabetes, hipertensão, cardiopatias e contribuir para muitas mortes.
As grandes armas contra o coronavírus são: a higiene das mãos,  de embrulhos e a etiqueta respiratória.
        A questão não é só individual, é principalmente coletiva. A faixa etária dos jovens está sendo poupada, mas eles precisam entender que têm um papel na disseminação do vírus, porque podem transmiti-lo a pessoas dos grupos de risco. Por isso, os jovens devem evitar se contaminar e devem evitar transmitir.
São indivíduos que socializam muito, e as medidas necessárias mexem com a cultura e o comportamento, mas a adesão deles é fundamental. Temos de conversar o máximo com os mais jovens pela sua energia potencial, porque não sabemos quanto tempo vamos passar nesse isolamento.
Já se passaram várias semanas nesse confinamento, criando certos embaraços nas tarefas caseiras como varrer, passar o pano no chão e lavar louças. Para muitos uma verdadeira odisseia, pela falta de costume ao realizar tais tarefas no dia a dia.
De acordo com alguns estudiosos no assunto de isolamento, o ideal é se sentir útil nessa fase tão difícil para todos nós. Nós, mais idosos, temos de conversar sobre a possibilidade de encararmos essa situação como um ato de sacrifício e solidariedade, e que poderia ser muito pior.
Ficar em casa “sem fazer nada”. O que pode parecer um sonho para alguns, se tornou o pesadelo para milhões de pessoas desde o início do surto de COVID-19. 
       Desde que as autoridades chinesas decidiram colocar a região de Wuhan em quarentena, várias cidades e até países inteiros decidiram que a melhor maneira de impedir a propagação do vírus era forçar as pessoas a ficarem em casa.
Na China, as autoridades vigiam de perto quem desrespeita as regras, enquanto na Itália a imposição de uma multa de € 206 e o risco de até três meses de prisão foi a solução encontrada para manter a população em seus domicílios. O governo italiano autoriza deixar as residências apenas para comprar comida, ir à farmácia ou trabalhar, quando indispensável.
No entanto, se o confinamento é usado como uma forma de conter o vírus, a medida também pode ter um impacto social e psicológico nocivo.
Na China, por exemplo, as autoridades registraram um aumento nos índices de violência doméstica nas regiões onde as pessoas foram proibidas de sair de casa. O número de casos de divórcio também está em alta no país.
Quando estamos confinados, perdemos a nossa rotina, reduzimos a nossa atividade física e, em caso de quarentena, as pessoas podem ser vítimas de estresse pós-traumático, irritabilidade, angústia e insônia, explica Chee Ng, professor de psiquiatria da Universidade de Melbourne e colaborador da Organização Mundial de Saúde (OMS).
O confinamento gera um sentimento de incerteza, de tédio e de solidão, E quanto mais longo, mais importantes são as repercussões na saúde mental, analisa.
Estudos mostram que a solidão provocada pela falta de vida social também pode provocar uma elevação no organismo nos índices de cortisol, o hormônio do estresse, e que esse aumento também representa um risco no desenvolvimento de doenças cardiovasculares, sem esquecer a depressão e a obesidade.
Com mais de 50 milhões de pessoas confinadas, desde 23 de janeiro, na província de Hubei, a China se tornou um exemplo flagrante dos efeitos do isolamento físico na saúde mental.
O país tem visto uma explosão de pedidos de consultas com psicólogos. Os moradores procuram ajuda por terem medo de serem contaminadas com o COVID19, também por enfrentarem a solidão da quarentena.
Para completar, a China sofre com um déficit de profissionais qualificados para o tratamento da saúde mental. O país conta com pouco mais de 02 psiquiatras para cada 100 mil habitantes, de acordo com dados da OMS.
Além disso, ao contrário do que pode se pensar, estar conectado via internet não significa necessariamente que o isolamento é menor.
Poderíamos imaginar que o acesso às redes sociais ajudaria a sentirmos menos sozinhos durante a crise, no entanto, as pessoas confinadas têm acesso a um volume muito grande de notícias que nem sempre não verdadeiras. E ainda não sabemos ainda se todas essas informações podem agravar ou não o impacto psicológico do confinamento, alerta o professor Chee Ng.
Esse fluxo de informações que provocou ansiedade ganhou até um nome da OMS: Infodemia!!! E, como ressalta o professor de psiquiatria da Universidade de Melborne, durante a epidemia de SRAS, em 2003, as redes sociais ainda eram balbuciantes, o que faz da pandemia de COVID-19 um fenômeno inédito, cujas consequências podem ser brutais e devastadoras para a Economia e para a saúde mental da população.
Já Hamza Esmili (sociólogo francês), acredita que obviamente o confinamento é necessário para frear a pandemia atual, no entanto, ele vê que a ideia de confinamento cria uma plêiade de pressupostos que não correspondem à realidade da população nos bairros mais pobres.
O confinamento é um conceito burguês, segundo ele! A ideia de que todos tenhamos uma casa separada, denota realmente um conceito burguês, no qual possamos nos refugiar quando há uma pandemia ou um desastre natural. Mas, nos bairros pobres, não se vê nada disso. Existe uma realidade rodeada de condições insalubres como, por exemplo, casas em que vivem quatro, cinco pessoas por cômodo; há também moradias que não são habitáveis, onde não é possível ficar ali o dia inteiro porque o espaço não existe.
No nosso Brasil, onde a famosa curva ainda não achatou, observamos uma falta de sintonia entre o governo federal, governo estadual e os prefeitos, cada um com seu pensamento, como se cada um fosse um país, sem contar com os desencontros de informações.
Cada dia que passa vemos o número de infectados aumentando como também o número de óbitos. Na verdade, contamos com governos incapazes que não sabem gerenciar a crise, mudam de estratégias e opinião constantemente e, com isso, tem custado muitas vidas.
E concluindo nossa escrita, penso que se DEUS estiver pensando em acabar com tudo outra vez para começar de novo. ao invés de profetas malucos, redentores ingênuos, nos mande governadores competentes, políticos honestos e magistrados imparciais, e que nos livre de tantas notícias nefastas, mentirosas que confundem nossa cabeça.
Vamos ter Fé e resignação, pois sabemos que somos como cristais, frágeis demais e que, em alguns momentos, perdemos nosso senso de equilíbrio, mas se cremos em Jesus como único Salvador toda essa tempestade passará!!!

THALES RIBEIRO DE MAGALHÃES
Rio de Janeiro/RJ
Diretor do Museu Salles Cunha, da ABO/RJ

RIBEIRO  FILHO

        Apresentação
O Professor Ribeiro Filho, natural de Minas Gerais, foi um personagem interessante na comunidade odontológica, pelo fato de não ter trabalhos publicados, mas sim, pela inspiração de suas palavras em memoráveis discursos.
Suas palavras traziam as referências ao aprendizado dos cursos de humanidades que formavam as personalidades dos alunos de sua época, início de 1900.
Seu pai, o Dr. Ribeiro, era conhecido e respeitado pela Medicina de âmbito geral, que caracterizava o início do século XX. Era um excelente literato, exigente ao extremo, legando aos seus oito filhos a instrução primorosa de um lugar histórico como foi São João d’el Rei.
O falecimento do Dr. Ribeiro trouxe a família para o Rio de Janeiro. Já formado em Odontologia, Ribeiro Filho estabeleceu o consultório no centro da cidade.
Começou sua vida de Professor em torno de 1935, na Faculdade de Farmácia e Odontologia do Estado do Rio de Janeiro, em Niterói. Esta Faculdade, cuja fundação é de 1912, é a célula inicial da criação da hoje, Universidade Federal Fluminense.
Em torno de 1943, associou-se à nova instituição odontológica recentemente criada, a Associação Brasileira de Odontologia. Nesta, havia uma diretoria provisória destinada a estabelecer o seu funcionamento e os necessários estatutos.
Com a dissolução dessas diretorias, em 1946, Ribeiro da Silva Filho assumiu a presidência até 1947, quando a associação já estava perfeitamente organizada, mas ocupando sedes provisórias.
A sede atual, a definitiva, foi construída com muito sacrifício, mas foi inaugurada em maio de 1983.
Dos diversos ex-presidentes, apenas ele estava vivo, mas com a saúde abalada. Coube a ele a honra de receber a Chave Simbólica no dia da inauguração, que lhe foi entregue pelo Dr. Edgard da Cruz Ferreira, o Dentista que deflagrou todo o processo de construção do prédio.
Em outubro do mesmo ano, Ribeiro da Silva Filho faleceu.
A Chave está abrigada no Museu Salles Cunha.
Este texto, todo baseado no acervo documental do Museu, mostra um pouco da personalidade desse homem que honrou a sua profissão. 
    


quinta-feira, 30 de abril de 2020

MAIO DE 2020 - ANEXO DO JORNAL MENSAL


ANTÔNIO INÁCIO RIBEIRO
Guarapari/ES
Honorário - Diretor de Divulgação

QUAIS SÃO OS MELHORES PASSEIOS PARA INDICAR
AOS TURISTAS EM GUARAPARI?
É
 verdade que a maioria dos que vêm à Cidade Saúde, é por causa das praias, mas acontece que praias bonitas existem em todos os Estados do Brasil, por isso é preciso que os turistas conheçam mais e melhor as atrações de Guarapari.
Quanto mais conhecerem, mais irão se encantar e melhor falarão da cidade, até por terem mais o que falar.
Aí é que entram os moradores da cidade, que ao identificarem um turista, deverão perguntar se já fizeram estes passeios abaixo.
Hoje o passeio mais procurado é o que melhor mostra nossa cidade vista por outro ângulo, o do mar - são as escunas. São sete e na temporada chegam a dez, com passeios de 02 ou 03 horas aproximadamente, por 35 ou 60 reais.
À tarde e à noite é possível ir perto do porto das escunas, usando o trenzinho, o segundo passeio mais procurado da cidade. Além de conhecer alguns dos nossos pontos turísticos são momentos divertidos com animadores.
Bastante procuradas por pessoas de várias idades, tanto na Praia do Morro como na Areia Preta, na temporada e feriadões, as Bananas Boats são passeio e diversão, pois incluem banho e adrenalina em alta pelas ondas.
Aos que gostarem ou já tiverem feito o passeio das escunas, existe o passeio às 3 ilhas, que sai às 6h30 e volta às 14 horas, levando a conhecer as ilhas que mal se avistam desde a praia, por um valor razoável de 80 reais.
Na mesma faixa de preço e duração, o Atlante leva para mergulho num navio grego intencionalmente afundado na costa de Guarapari, para servir de abrigo a peixes e corais, que produzem um espetáculo único.
Fora d’água, e no período da alta temporada, está disponível um passeio de helicóptero, de um valor um pouco mais elevado, que leva emoção por conhecer as belezas de Guarapari num lindo voo panorâmico.
Aos que não gostarem da ideia de voar ou gastar muito, estão as caminhadas pela Praia do Riacho, Areia Preta à Praia da Fonte e pela Praia do Morro, onde existem quadriciclos e bicicletas de aluguel.
Quando estiver muito calor, uma boa dica é passeio a Buenos Aires que dista aproximados 15km e a quase 1.000 metros de altitude. Além da vista, é possível saborear típica comida italiana.
Todos nós podemos gerar mais turistas e renda. Basta saber indicar!
EDUARDO SOUSA
Rio  Branco/AC - Colaborador
Cirurgião  Dentista  - Natalense - Cinéfilo

FILME:  AS SANDÁLIAS  DO  PESCADOR (1968)
The Shoes of the Fisherman -  Votação do público: 7.2
B

aseado numa obra literária de sucesso, do australiano Morris West, esse filme, liderado pelo grande Anthony Quinn, junto com um elenco de peso, trafega em áreas de fé ortodoxa e idealismo prático, coisas que sempre estarão em campos opostos, mesmo que o objetivo seja nobre.

Cinco anos antes do filme ser realizado, o livro foi lançado com uma história que se tornaria profética, pois relata a odisseia de um religioso católico do bloco europeu oriental, que se tornaria Papa.

Uma mudança radical para os padrões católicos vigentes, pois há cerca de 400 anos, todos os Papas eleitos pela Igreja Católica, até então, sempre eram italianos, onde fica a sede mundial da Igreja, na cidade do Vaticano. 

A ficção se tornaria realidade 15 anos depois, com a elevação do Papa João Paulo II, um polonês, em 1978, ao trono de Pedro.

Na simulação cinematográfica, vemos na tela um padre russo, dissidente e prisioneiro político do regime soviético, ser libertado após 20 anos de reclusão. 

O próprio primeiro ministro lhe dá a notícia, e o manda para o Vaticano, na esperança de que o mesmo possa lhe ajudar em futuras negociações com a Santa Sé, mostrando de cara um dos paradoxos que a política utiliza também na vida real.

Na  viagem para Roma, um padre, de ideias pouco conservadoras, é designado para acompanhar o ex-prisioneiro, que é recebido como um herói em terras italianas, e homenageado pelo Papa, que na mesma ocasião lhe promove a Cardeal, ato que ele tenta recusar, na sua humildade e simplicidade.

Não sabia ele que o destino lhe reservava uma grande e totalmente inesperada surpresa.

A morte súbita do Papa, lhe colocaria no trono de Pedro, após inúmeras e estudadas reuniões dos Cardeais na famosa Capela Cistina.

Sempre muito humilde e simples, ele pediu que seus confrades, reconsiderassem a ideia de lhe conceder a Mitra Papal, mas, rendendo-se às circunstâncias, aceita a missão de Presidir a Igreja Católica, mesmo tendo enormes dúvidas sobre a sua própria capacidade de tal empreendimento.

Cenas e diálogos sagazes são apresentados na tela, e a história se desenrola de maneira instrutiva, absorvendo nossa atenção.
Convidado para mediar as tensões entre China e União Soviética, Kiril Lakota, agora Papa, vai até Moscou, onde é recebido pelo ex-algoz, primeiro ministro.

No encontro de cúpula, ele reafirma sua condição de não ter todas as respostas, mas insere no ambiente uma boa vontade de resolver as questões de maneira serena e baseado nos seus princípios, meio que tranquilizando o hostil chefe da nação Chinesa.

Refletindo o poder que sua posição alcança, Kiril divaga sobre seus deveres e se sente solitário, mesmo cercado de assessores de alto nível. 

Tomadas de decisões não são tão fáceis como parecem, quando isso afeta milhões de pessoas, como no seu caso. Uma reflexão que também ocorre no nosso mundinho mundano, e que atinge pessoas de todas as facetas da humanidade.

O final utópico, traz um convite para todos pensarem nos obstáculos que, de maneira universal, são enfrentados por boa parte da população mundial, e como tentar resolver essas dificuldades de maneira racional, o que não costuma acontecer na vida real.

O racional na área política sempre resvala nos interesses escusos de personagens sombrios.

JORGE DE ANDRADE MOTA
Porto Alegre/RS


E
FOLIFOLIN DEUS DO CARNAVAL (*)


sta história se passa num tempo remoto, em que não havia histórias. Nem tempo.
        
         No fundo de um buraco negro, de onde sairia tudo milhões de anos mais tarde, mas antes disso, havia aldeiazinha pequenina, nascida prematuramente.
    
      Havia nela os primeiros seres humanos, nascidos milhões de anos antes do “Homo-Sapiens” ou “Neandertal”. 
      Contavam-se nos dedos os prematuros, cujas moléculas já haviam se unido entre si , milhões de anos antes do “Big-Bang”.
        
       O mais antigo, chamava-se FoliFolin. Caracterizava-se, não pela beleza física, mas pela alegria, entusiasmo. Sua vida e seu caminhar eram uma apologia de dança, embora essa ainda não fosse conhecida.  
     Tudo isso fascinava a mais bela moça da aldeia, loira e linda, chamada For–Linda que à FoliFolin entregara o coração e, no primeiro e mais belo casamento da humanidade, no alto de um montezinho, sob uma ameixeira, iluminada pelas ondas do mar, ambos uniam corpos e corações para sempre. Todos lhes auguravam felicidade para sempre!!

Mas não contavam, ingênuos prematuros, que já na pré–história existiam as Cassandras do mal, que entre risos malignos, profetizavam: - Isto não durará dois anos!

E assim foi. Dois anos depois, ao nascer do primeiro filho, a constituição frágil dos pulmões de For–Linda não resistiu, e ela, loira e linda, partiu da vida terrena aos vinte anos, deixando como lembrança seu filho Arlequim.
   
   Este herdara toda a beleza da mãe e, desde jovem, arrebatava o coração de todas as meninas da aldeia. Mas não herdara a alegria e a vivacidade do pai. Parecia preocupar-se todo o tempo com sua aparência e beleza física. Era um Narciso prematuro...

FoliFolin, após algum tempo ferido pela morte de seu amor, recuperou toda sua pujança e alegria. Era da natureza dos que renascem mais fortes, quanto mais profundos os golpes que sofrem do destino. No fundo de seu Genoma morava a felicidade.

Sua solidariedade para com todos da aldeia era comovente; parecia almejar que todos fossem felizes, senão ele não seria. Todos o estimavam profundamente!
        
      Em especial, acompanhava com carinho a três jovens que estavam sempre juntos, brincando, passeando e sonhando.
Dois ele vira nascer: Arlequim, seu filho, uma graciosa menina prima deste, imagem de uma pombinha branca, por isso conhecida pelo nome de Colombina. E, completando o trio, uma figura enigmática. Magro, esguio, ao contrário de Arlequim, sempre usava roupas escuras e algo sombrias. Manto negro com 4 bolinhas brancas.
        
      Seu rosto, nem bonito nem feio, parecia, principalmente no olhar, guardar mistérios mais profundos que o buraco negro.
        
      Ao contrário de Arlequim e Colombina, que eram primos, ele chegou mais tarde, já na puberdade.
         
     Não se sabe de onde, pois não falava, era mudo. Mas, como no futuro haveria na França pequenos bonequinhos que, mediante o ligar de molas, dançavam sem parar, chamados de Pierrot, como o jovem vivia dançando, chamavam-lhe de Pierrot.

FoliFolin tratava-o com carinho e à Colombina como se fosse um irmão. Arlequim, ao contrário, tratava-o com desdém e o humilhava sempre que podia, pensando: - Por que este pobre enjeitado veio intrometer-se na minha família?

FoliFolin, que era supersensível, ao observá-lo, pensava consigo: - Que ser humano notável este rapaz! Nenhuma linguagem falada nos conta um milésimo do que seus olhos nos dizem; sua vida está escrita no seu olhar. 
Mas, apesar de haver sofrimentos, separações, solidão eterna, há algo no fundo de seu olhar que nos mostra, como numa pintura, a suprema beleza da tristeza de uma saudade.            Se a frase de um grande poeta do futuro (Vinícius) estiver correta, Todo poeta só é grande se for triste, então este jovem é o primeiro e maior de todos poetas.

E quando ele contempla Colombina? Todas as mais belas histórias de amor que ainda não aconteceram, estão neste olhar: Romeu e Julieta, Abelardo e Heloísa, Tristão e Isolda, Katty e Hetclif. 

Enquanto ele coloca tudo isto a seus pés, Colombina, como as infelizes mulheres que “só amam o que se vê”, está vidrada na última vestimenta de Arlequim com cores rutilantes e botas de veludo.

FoliFolin notou que após a morte de For-Linda, havia uma grande melancolia em toda a aldeia. Como ele, para ser feliz. precisava fazer outros felizes, resolveu inventar uma festa que fosse pura alegria.

Notou que havia duas coisas que os tornava felizes: comer bem, cantar e dançar. Resolveu reunir tudo: carne (era a comida mais apreciada), valsa e marcha (mais dançadas).

Decretou que a cada ano, três dias fossem dedicados inteiramente à carne e à valsa: seriam os dias de Carnaval.

Todos poderiam, se fantasiar de qualquer coisa, saindo de si mesmo. Estava fundada a festa que duraria eternamente, e seus adeptos seriam os foliões de todos os tempos.

Ultimamente, corria o boato na aldeia de que em breve, com todas as moléculas do buraco negro fusionadas em seres monolíticos, por meio do “Big Bang”, o buraco negro lançaria todos por meio de milhões e bilhões de galáxias e corpos celestes, Universo afora.

Folifolin, sempre ligado a tudo, soube que todos da aldeia iriam parar num minúsculo planeta chamado Terra, que já tinha alguns  milhares de anos na história.

Por meio de sua mente de múltiplos poderes, nosso profeta vidente andou tendo visões de seu futuro lar.

Foi se espantando com as vertiginosas mudanças (para pior) que estava ocorrendo nele. Mortes, guerras, destruições em massa. Derrubavam árvores, destruíam morros para substitui-los por gigantescos monstrengos de cal e cimento, às centenas. 

Eram como gigantescas catacumbas, onde não se via mais o céu o sol, nem o mar. E os habitantes, verdadeiros prisioneiros desses monstrengos, iam cada vez mais se silenciando.

As grandes invenções da ciência (aviões, automóveis, armas atômicas) matavam mais do que todas as epidemias juntas. Tudo isso em prol de um novo Deus inventado pelos terráqueos, o dinheiro.

Folifolin, lendo livros, notou em alguns autores, cem anos antes, as previsões dessas catástrofes: o Admirável Mundo Novo (Aldous Huxley), Tempos Modernos (Charles Chaplin).
        
        Desiludido, desencantado, Folifolin já estava se decidindo:       
      - Não! Não levarei meu povo para viver num calabouço de desgraçados! Nunca!!!’’
         
    Mas, de repente, na tela do cinema do poeta foi se projetando uma imagem.
        
        Vê-se ao longe aproximar-se um palhaço de pernas tortas, sapatos e chapéu rotos e enormes, camisa sobrando para todo lado. Enfim, quase um espantalho.

Sentada no meio da estrada deserta, pés descalços, vestimenta pobre como a dele, vê-se uma jovem que parece um anjo de candura, com cabelos curtos esvoaçando, refletindo o verde do céu, os olhos, ao contrário, parecem não refletirem.

Ele vem, cabisbaixo, com as mãos entrelaçadas, triste, pois foram despejados da casinha em que moravam, e fora despedido do emprego. 
Vem dar-lhe a notícia: - Eles não têm mais nada!
        
     Senta-se ao lado dela e a câmera se fixa no rosto dele.  Os olhos tristes começam a contar a história, mas, à medida que a fita, a adoração que sente por ela vai lhe suavizando e, apesar das notícias tristes, vai expressando o sentimento mais sublime que existe: a contemplação da mulher amada.
        
   Folifolin murmura: - Meu Deus! É o rosto de Pierrot a contemplar Colombina!’
     
     Agora, a câmera fixa-se no rosto angelical da moça, cujos olhos, paradoxalmente, não brilhavam, opacos, vazios.                       Emocionado,  Folifolin gritou: - Ela é cega!!

Mas, como um milagre, a partir do momento em que ela ouve o relato dele, a sua bondade, o seu amor para com ela, cores mais belas que o arco-íris, vão emergindo de suas órbitas. Ela está vendo! Não a figura dele, mas a beleza que seu coração sente por ela.              

A única beleza que nunca morre. Então, abraçados, dão-se as mãos e vão se afastando até o fim da estrada que nunca terá fim. A estrada dos corações que se amam, que fica além, muito além das Luzes da Cidade. (Charles Chaplin)

Folifolin pensa: - Com este casal feito de amor e mais Pierrot e Colombina, salvarei qualquer mundo do Universo. Mas onde encontrá-los?”

A seu lado, ouve-se uma voz de homem-menino que diz: 
- Irmão, fui informado pelo grande cantor Franklin Dias e pelo notável declamador Norberto Castro que, pela única vez nestes milhões de anos-luz, eles vão se encontrar numa peça musical chamada “Uma noite encantada”, que vai ser encenada amanhã no chalé da Praça XV, em Porto Alegre. 

Folifolin se ajoelha ao agradecer e diz: - Amanhã????  Temos de ir depressa e, por meio da magia, remove Carlitos e sua amada da tela e, agarrando no braço do personagem diz:  

- Serás nosso guia, já que viveste em Porto Alegre 70 anos!

E, pegando carona numa nuvem veloz, rumam ao chalé.

A peça está chegando ao fim. Pierrot e Colombina na soteia do chalé, enlaçados, estão terminado a Dança do Mascarados (Chico Buarque). 

Quando eles tiram as máscaras, revelando-se, Folifolin diz-lhes: 
- Filhos, agora, por esta nuvem que está se formando por cima do Mercado Público, levarei vocês, mais o casal aqui do lado, para a estrada de Aldebarã; este mundo da Terra, cheio de ódio, rancores, guerras sem fim, está em agonia, em breve desaparecerá. 

Lá em Aldebarã, um mundo virgem, sem maldades, espera por vós, lá impera a ingenuidade, a bondade, lá onde se vê a beleza do amor que nasce no coração, o único que não morre, sem precisar de olhos, a luz da alma os sente. 

Esta luz sublime e eterna sobreviverá a todos os Universos materiais...

Lentamente, a nuvem vai decolando, e os cinco dão adeus aos assistentes do chalé.

No centro deles, abanando, dizem docemente:

- Ide com Deus, irmãos, que seu mundo seja feliz. Em breve, estarei com vocês...

É a figura do santo poeta, o imortal operário das letras: 
Nelson  Fachinelli

(*) Conto em homenagem a Nelson Fachinelli, o santo poeta pela saudade dos anos de sua ausência.


LUIZ MANOEL DE FREITAS
Natal/RN
Superintendente Técnico do Projeto Reviver (Parceiro)









NELSON RUBENS MENDES LORETTO
Gravatá/PE
Professor Adjunto da FOP-UPE 
1º Secretário da SBDE

CARTA DA MÃE TERRA

P

erdoem-me, meus filhos, mas eu estou doente!
Tentei incessantemente avisá-los de que estávamos seguindo por um caminho desastroso, mas vocês estão sempre muito ocupados para ouvir os meus apelos.

Sinto muito causar-lhes dor ou sofrimento, pois nunca tive esta intenção.

Acolhi cada um de vocês com todo amor e beleza que me foi possível oferecer, mas hoje estou doente, muito doente e preciso da ajuda de cada um de vocês para me restabelecer.


Foi uma parada abrupta eu sei, mas não tenho opção, sou tão vítima quanto vocês.

Preciso me recolher, descansar para recuperar minhas forças, e só posso fazê-lo se vocês também o fizerem.

Ficar restrito aos seus lares deveria ser um momento de resguardo, de descanso, de recuperação, mas nem todos os lares têm a paz, respeito, harmonia ou o amor necessário para este momento.

É preciso que vençam seu egoísmo, impaciência, rebeldia e consigam atender ao meu pedido.

Precisam compreender a diferença entre o supérfluo, o importante e o essencial; isso é fundamental neste momento.

Eu preciso me recolher, voltar à minha essência de beleza e pureza nas águas, no ar e na terra.

Vocês precisam se recolher e vivenciar o essencial.

Peço a todos os filhos da Luz: não se desesperem, pois juntos somos fortes e iremos nos recuperar.

Ajudem-me com seus bons sentimentos e pensamentos, somos um só, estamos totalmente interligados uns aos outros.

Ajudem-me para que nosso Lar volte a ser um ambiente de beleza, harmonia e prosperidade.  Pensem nisso!

THALES RIBEIRO DE MAGALHÃES
Rio de Janeiro/RJ
Diretor do Museu Salles Cunha ABO/RJ

HISTÓRIA MINEIRA
A
ngustura é a sede de um distrito pertencente à cidade de Além Paraíba/MG, e dista 07 km da rodovia BR-116 (Rio/Bahia), à altura do Km 800, e tem suas origens nos primórdios do povoamento da Zona da Mata mineira.

Durante o Ciclo do Ouro, a região, outrora habitada pelos índios Puris, cujos vestígios ainda podem ser encontrados em algumas fazendas, era usada como rota por contrabandistas, para evitar a fiscalização dos “Registros” existentes na estrada oficial – o Caminho Novo. Em razão desta segurança tributária, a Mata mineira era conhecida como “Áreas Proibidas”.

Neste contexto, surgiu o primitivo Arraial de Madre Dios do Angu, atual Angustura, a partir de um pouso de tropeiros que trilhavam as margens do Rio Angu. Nessa época – início do século XIX – começaram a ser distribuídas sesmarias aos   primeiros colonizadores da região.

Em 27 de março de 1841, o Arraial pertencia à Vila de São Manuel do Rio da Pomba, e foi elevado à categoria de Distrito, com o nome de Madre de Deus do Angu, sendo incorporado à Vila de São João Nepomuceno, em 1842.

Com a expansão da cafeicultura, através do vale do Rio Paraíba, Angustura destacou-se como grande produtora, e teve o seu apogeu entre o final dos 1800 e princípios dos 1900.

Os grandes fazendeiros de então erigiram a sua atual Igreja Matriz, inaugura em 1886, artisticamente decorada por artífices contratados na Côrte.

Ergueram também, à sua volta, belos solares. O templo e seu entorno integram um harmonioso cenário, emoldurado pelo verde e pelas montanhas que caracterizam a silhueta da geografia mineira.

Suas fazendas possuíram inúmeros escravos e, após a libertação destes, atraíram muitos imigrantes europeus para o trabalho nas lavouras de café.

Em 1874, o surgimento da ferrovia – Estrada de Ferro da Leopoldina – não contemplou, contudo, o Distrito de Angustura.

Posteriormente, com a criação da antiga rodovia Rio/Bahia, na década de 1930, novamente Angustura se via preterida.

Mais tarde, com o declínio do café e com o êxodo rural iniciado com o processo de industrialização do país - em particular, a instalação da Cia. Siderúrgica Nacional – ocorreu o seu esvaziamento populacional.

Tais fatos, se, de um lado penalizaram o progresso de Angustura, paradoxalmente, de outro, contribuíram para o resguardo de parte de seu  conjunto arquitetônico original, hoje tombado pela municipalidade.

Muitos representantes de sua aristocracia cafeeira se notabilizaram na vida pública do Município, da Província, do Império e da nascente República.

Em Angustura, também tombado pelo patrimônio municipal, encontra-se o Mausoléu do primeiro Comandante Geral da Polícia Militar de Minas Gerais, Cel. Francisco de Assis Manso da Costa Reis.

O pai do Cel. Assis era o Cap. Valeriano Manso da Costa Reis, colega de Regimento de TIRADENTES – por este citado nos autos de Devassa da Inconfídência – e sua mãe era Dª Ana Ricarda de Seixas, irmã de Mª Dorothéa Joaquina de Seixas – a MARÍLIA DE DIRCEU, musa do poeta inconfidente, THOMAZ ANTÔNIO GONZAGA.

Outro que merece destaque é o Dep. Antônio Romualdo Monteiro Manso, notabilizado por ter sido o primeiro político do Império que se negou a prestar juramento de fidelidade a D. Pedro II

Em razão de suas convicções anti-monarquistas, Monteiro Manso conquistou a admiração do propagandista republicano, SILVA JARDIM, que visitou ANGUSTURA – onde sofreu um atentado, em março de 1889.

Em Angustura faleceu, em sua Fazenda Babilônica o Senador Agostinho Cezário de Figueiredo Côrtes, que dá nome à de Senador Côrtes, nesta Zona da Mata.

São também angusturenses o grande jurista, de renome nacional, Nelson Hungria; o Dep. Provincial Francisco Cezário de Figueiredo Côrtes e o ex-Prefeito de Araxá, Fausto Alvim - que também foi Presidente do antigo IAPC e, em idade provecta, tornou-se escultor, cujo talento é reconhecido por importantes críticos de arte.

O Dicionário do Aurélio nos ensina que Angustura significa: Passagem estreita entre montanhas.